
Calle Mayor – Madrid, Espanha

Between Spain & Portugal, Madrid & Lisboa…

Entrámos neste museu sem qualquer expectativa, na realidade nem tinha sido a nossa primeira opção mas sim uma exposição que estava no Palácio de Villena (logo ao lado) chamada Primitivo, com quadros de pintores portugueses do século XV e XVI. Por outro lado pensámos que uma vez em Valladolid deveríamos ver um museu com exposições da região e a outra podemos tentar localizá-la em Portugal.

Creio que fizémos a escolha acertada. Assim que tiro a carteira da mala para pagar o senhor da bilheteira entrega-me os bilhetes para mão, um mapa e começa a indicar-me o caminho sem cobrar-me, ao Sábado á tarde não se paga. Excelente. Cultura sem custos adicionais, de qualquer forma se tivesse pago senti-me igualmente satisfeita, esta é uma colecção que para mim merecia cada euro cobrado porque foi a primeira que alguma vez vi do género e fiquei impressionada.

Li algures que era um dos museus mais antigos de Espanha. Grande parte do que está exposto é de carácter religioso, o mais impressionante foram os grandes retábulos de madeira recolhidos de diversas igrejas da região e ali preservados. Autênticas preciosidades artísticas esculpidas em madeira com um grande nível de detalhe.

A exposição está organizada de forma cronológica e começa com século XV onde numa das salas podemos ver um tecto trabalhado em madeira e com aplicações douradas. Vamos também algumas pinturas a óleo onde se sobrepõem apliques dourados.

Uma das nossas esculturas preferidas foi a de San Onofre de Alejo de Vahia, trabalhada em madeira e com um grande detalhe para fazer a parte do pelo.

Entramos depois no Renascimento onde em duas salas se expôem as peças de um retablo de madeira cuja dimensão era tão grande que para que se conseguisse ver tinha que ser assim, como se fosse um puzzle.

O retábulo de San Benito, estava originalmente na igreja do mosteiro com o mesmo nome, foi encomendado ao artista Alonso Berruguete e na parte central podemos ver o San Benito, cuja dimensão era impressionante. Havia também o Calvário e a Assunção de Maria.

Ainda nesta zona um fantástico trabalho do escultura Andrés de Nájera com as cadeiras de madeira do coro do mesmo mosteiro do retábulo.

Ao fundo da sala, um trabalho de Juan de Juni um escultor francês que viveu na cidade de Valladolid e que criou este Enterro de Cristo. Ao centro está Jesus Cristo a ser preparado para o enterro enquanto a sua mãe, Maria chora a sua morte e José a consola. Também está representada Maria Madalena e Nicodemo.

Seguimos para a zona do Barroco, antes ainda ficámos a contemplar o claustro do Colégio.


Um dos quadros que chama mais a atenção é o da Anunciação de Maria de Gregório Martinez (séc. XVI) onde se nota as influências dos artistas italianos Rafael e Miguel Ângelo.


Nesta zona uma das obras mais interessantes é o retábulo e relicário da Anunciação, obra de Vincente Carducho do inicio do século XVII.

No final passamos ainda por um conjunto de esculturas representando a Via Sacra, desde o Pretório até ao Calvário. Estas esculturas saiem á rua na altura da Semana Santa em pequenos carros puxados por homens vestidos com o traje típico da época.

Uma delas é o Caminho para o Calvário de Gregorio Fernández e a a última é a elevação da cruz de Francisco Rincón (século XVII).

Foi uma excelente surpresa este museu, claro que será ainda mais interessante para quem goste de arte religiosa.
Artigos Relacionados:
![]() |
![]() |
![]() |
|
Plaza Mayor |
Plaza de San Pablo |
Capela San Gregorio |
Há algum tempo comprei o guia Madrid Encounter da Lonely Planet, onde nos seus highlights em 9º lugar estava o Estádio Santiago de Berbanéu, casa do Real Madrid. Quando estivémos em Barcelona, um dos autocarros turísticos passava no estádio Camp Nou onde joga o grande rival do Madrid, o FC Barcelona.

Com a grande popularidade do desporto e sobretudo com o campeonato espanhol ao rubro com esta grande rivalidade (que vai além do futebol e mexe com outros sentimentos que passam pelo nacionalismo ou falta dele), os dois estádios enchem-se de adeptos regulares mas também dos que vêm o interesse turístico da experiência de assistir a um jogo de uma das melhores equipas de futebol da actualidade.
Nós pertencemos a este grupo, ou pelo menos eu.
A verdade é que vivendo em Madrid e tendo esta equipa uma boa percentagem de portugueses é inevitável não torcer por ela, principalmente quando está a disputar um jogo da Champions League.

Por outro lado e apesar da grande rivalidade não descartamos a experiência de assistir a um jogo do Barcelona. Porque nada bate o estar num estádio, ouvir os cânticos das claques, sentir a emoção dos adeptos, comer um “bocadillo” comprado na rua ou o que chamam de “pipas”(pevides) que ouvimos comer nos intervalos dos gritos que motivam a equipa (ou criticam o árbitro).


Melhor ainda é assistir ao jogo e ver a equipa da casa ganhar por 4-0 neste caso sendo que estávamos na zona onde marcaram três desses golos. Uma experiência a repetir sem dúvida.

VER GUIA DA CIDADE:
Se bem me lembro, o filme do Tim Burton “Eduardo Mãos de Tesoura” termina com o seu desaparecimento da personagem mas com a noção de que ele continuaria ali, a fazer nevar sob a cidade. Pois o Bosque Encantado em Valdeiglesias a prova de que ele saiu do castelo e emigrou para Espanha.

Sendo um jardim botânico onde na realidade grande parte dos que visita não vê as plantas mas sim as famosas esculturas que lembram o trabalho da personagem do Johnny Depp nesse famoso filme.
Entramos por isso num espaço que não é apenas um jardim mas uma evocação ao espírito e magia do filme. Por ele estendem-se várias “rutas” cada uma com o seu tema que vão desde os Contos aos Inventos, passando pela Mitologia e mais dentro da botânica, a zona dos Bonsai ou dos Aromas. É dificil falar de cada uma, têm bastante para ver.

Foi complicado dar com o local, o GPS fez-nos andar á volta. Uma pena que seja um jardim tão bonito e que com alguma divulgação acabe por perder “clientes” á porta já que é complicado encontrar onde fica. Andámos por San Martin de Valdeiglesias e voltámos a sair porque não conseguíamos de forma alguma localizá-lo, até que decidimos sair e na sua principal rotunda virar em direcção a Ávila nessa estrada encontrámos uma placa do lado esquerdo a assinalar o jardim. Os acessos também não são dos melhores o que significa que no Inverno só de jipe.


As entradas são 10€ por pessoa, um pouco caro pensámos ao principio. Dão-nos um mapa e toca a explorar. A verdade é que o preço compensa a experiência, a música lembrava-nos a parte de relaxamento de uma aula de yoga ou um daqueles cd’s de música com sons da natureza (água a cair, etc..) e o passeio é muito agradável.

A dar as boas vindas duas figuras históricas de Espanha, criadas por Cervantes: Dom Quixote e Sancho Pança.



Eram muitas zonas para colocarmos todas aqui mas uma das que mais gostámos foi a da Música que estava ao lado de um “ruidoso” labirinto, de onde muitas crianças tentavam sair gritando entre si pistas do caminho correcto. Mas a representação da banda e do músico ao piano estavam excelentes.
Outra zona interessante foi a da Mitologia com figuras como o Pegaso, o Nessie (o monstro de Loch Ness), o Centauro, entre outras.


Podemos revisitar as histórias da nossa infância presentes na zona dos Contos, onde o Aladino, a Branca de Neve e os Sete Anões, o Capuchinho Vermelho, o Peter Pan e o Pinóquio.



Por todo o lado a lembrança do filme, da magia do “Eduardo Mãos de Tesoura”, houvesse uma visita nocturna e seria um cenário perfeito de um filme de Tim Burton.




Continue a ler “Catedral de Santa Maria de Almudena – Madrid, Espanha”

Talvez seja das praças que mais gente visita sem saber exactamente o seu nome, creio que estar ao lado do Palácio Real cujo protagonismo faz esquecer a sua beleza. O seu pequeno jardim em forma de parterre de estilo barroco vai dando abrigo a muitos turistas ou locais que procuram ali um espaço para descansar ou relaxar. Mas há outras maneiras de fazer, á sua volta estão alguns restaurantes com excelentes esplanadas ou “terraza” como se diz por aqui.
Perhaps it is the squares that most people visit without knowing exactly its name, I believe to be next to the Royal Palace whose protagonism makes everyone forget its beauty. Its small garden in the shape of a baroque style parterre gives shelter many tourists or locals looking for a place to rest or relax. But there are other ways to do it, around the square are some restaurants with excellent terraces or “terraza” as they say here.
Ávila é simplesmente inevitável, está tão perto de Madrid e é tão relevante que repetimos a visita do ano passado, se bem que esta foi a caminho de um “pueblo” para os lados da Serra de Gredos o que não nos permitiu ficar muito tempo.

Ainda assim, fomos á Plaza del Mercado Chico, onde está o edificio do “Ayuntamiento” (Câmara Municipal) assim como alguns cafés e bares com esplanada que pudémos aproveitar com a grande tarde de sol que estava.

Há outro local que se destaca na Praça, uma pastelaria que vende doçaria da região mas cuja principal estrela são as famosas “Yemas de Ávila”. Na realidade creio que se passa aqui algo como o Pastel de Belém e o Pastel de Nata, as Yemas podem chamar-se de Santa Teresa (mas apenas uma pastelaria está certificada a fabricá-la) ou de Ávila que são as que se vende em todas as pastelarias.

A Yema é feita de água, limão, ovos e farinha. São umas pequenas bolinhas moles que ao comer me faz lembrar os ovos moles de Aveiro.

É sem dúvida um local para visitar e ficar um pouco a aproveitar o ambiente local, sentar-nos num bar de tapas, pedir uma bebida e receber grátis um prato com algo para comer, podem ser umas “croquetas” ou uma outra tapa.

E já sabemos que voltaremos a visitarna cidade dos “Caballeros”, só não sabemos quando.
Artigos Relacionados:
![]() |
![]() |
![]() |
|
Ávila |
El Barquillo |
Becedas |
Entrámos na Plaza de San Pablo e seguimos pela Calle de las Cadenas de San Gregório onde vemos a fachada do Colégio do Santo que dá o nome á rua. Foi uma das maravilhas de não ter preparado a visita á cidade foi ter descoberto o museu (e a sua capela) que está para lá trabalhada fachada gótica do Colégio.

A outra grande surpresa foi que quando pedimos dois bilhetes para entrar não nos cobravam, ao que parece aos Sábados á tarde não se paga. Creio que poderia naquelas listas de coisas para fazer sem gastar dinheiro. Antes de entrar nas várias salas do Museu começámos a visita como indicava o mapa, pela Capela.

Foi construída no final do século XV e nela foi enterrado Alonso de Burgos, o confessor dos Reis Católicos.

Várias peças originais da Capela desapareceram durante pilhagens após as várias guerras que por ali passaram, a mais importante foi exactamente o sepulcro do frade Alonso de Burgos. No entanto outros figuram dentro do pequeno espaço da capela, como o túmulo dos Senhores de Cotes que foi recuperado da Igreja de São João em Olmedo.


Ao centro um trabalhado retábulo de madeira ocupa o lugar que pertenceu a um outro pedido pelo frade de Burgos. Na parte do museu estão algumas partes dessa obra construída por Gil de Siloe responsável pelo retablo que decora a Capela de Santa Ana da Catedral de Burgos.

Do lado direito do retábulo, uma estátua em bronze do Duque de Lerma. A placa explica que o duque deveria ser uma importante figura na corte de Filipe II para ter replicado a estátua do monumento fúnebre do seu antecessor, o rei Carlos V que está enterrado no Escorial.

Como símbolo do seu poder e riqueza, Francisco Sandoval encomenda para si e para a sua mulher, Catarina de la Cerda, o referido monumento. O primeiro duque de Lerma era um “valido” (válido ou favorito) do rei, que não era um cargo oficial mas sim um confidente a quem a mais importante figura do reino depositava a sua confiança.

Seguimos depois para o museu para ver a sua exposição onde se destacam os maravilhosos retablos em madeira.
Artigos Relacionados:
![]() |
![]() |
![]() |
|
Plaza Mayor |
Plaza de San Pablo |
Gelataria Iborra |








